Hoje lembrei-me de ti, avó.
Lembrei-me da tua presença sempre que era necessária, da tua palavra amiga, que nunca censurava, mas orientava. Tinhas a coragem de alertar para verdades que nem sempre me agradavam, mas que continham a direção certa para percorrer os trilhos da vida, caminhos que nem sempre são fáceis. Os meus, em particular, foram muitas vezes íngremes e difíceis.
E tu estiveste sempre lá.
Pronta a ouvir o que era dito e a compreender o que ficava por dizer. Pronta a enxugar as lágrimas quando surgiam, a fazer companhia quando o silêncio se impunha e as palavras já não bastavam. Sempre ligada à espiritualidade, numa oração constante, discreta e profunda, nascida da fonte inesgotável do teu amor.
Recordo as tuas palavras e a forma como as pronunciavas: sempre bondosa, sempre amiga, sempre carinhosa. Nunca havia agressividade ou autoritarismo na tua voz. Ainda assim, possuíam um efeito extraordinário. Quase sem nos apercebermos, conduziam-nos à obediência, à escolha acertada, ao caminho abençoado.
Depois chegou o tempo da ausência.
Partiste para o lugar que já te esperava e eu continuei a ouvir-te.
Como? Não sei.
Talvez através das lembranças que permanecem vivas. Talvez através da intuição que tantas vezes sussurra no momento certo. Talvez através dos ensinamentos que deixaste gravados no meu coração. Será que sempre os compreendi? Talvez não. Houve momentos em que a rebeldia me levou a ignorá-los ou a adiá-los. Mas nunca consegui fugir completamente às tuas palavras, porque o amor que nos unia — e continua a unir-nos — era mais forte do que qualquer distância.
Hoje, no Dia dos Avós, agradeço por tudo o que foste e por tudo o que continuas a ser em mim. E desejo, como tantas vezes dizias, que todos os netinhos de todas as avós sejam envolvidos por um amor duradouro, daqueles que atravessam o tempo, vencem a ausência e permanecem vivos na memória e no coração. Que nunca esqueçam a presença dos seus avós, porque há amores que nem a despedida consegue apagar.

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