Há jovens que, por fora, parecem estar bem. Vão às aulas, convivem com os amigos, tentam cumprir todas as exigências escolares e sociais. Mas, por dentro, vivem com uma sensação constante de sobrecarga emocional. Na véspera de um teste, por exemplo, ficam deitados na cama com a mente em aceleração contínua, o coração mais rápido e um fluxo interminável de pensamentos: “E se correr mal? E se eu bloquear? E se não for suficiente?”. Já sentiste o coração a bater mais depressa sem perceberes porquê? Já tiveste dificuldade em adormecer porque a tua mente não parava de antecipar cenários? Ou passaste demasiado tempo a imaginar tudo o que podia correr mal antes de um teste, de uma apresentação ou de uma conversa importante?
Se a resposta for sim, não estás sozinho. Muitos jovens vivem aquilo a que a psicologia chama ansiedade antecipatória — uma tendência para projetar o pensamento no futuro de forma negativa, criando cenários hipotéticos de falha, rejeição ou incapacidade. Este processo está muitas vezes associado à ruminação cognitiva, em que a mente repete os mesmos pensamentos de preocupação em ciclo, sem encontrar solução.
Nestes momentos, o sistema nervoso entra em estado de alerta, ativando a resposta de “luta ou fuga”. O corpo reage como se estivesse perante uma ameaça real: aumento da frequência cardíaca, tensão muscular, aperto no peito, dificuldade de concentração e, em alguns casos, sintomas físicos como dores de cabeça, náuseas ou desconforto gastrointestinal. Muitos jovens chegam mesmo a ensaiar mentalmente conversas ou situações inteiras antes de as viverem, numa tentativa de controlo que, paradoxalmente, aumenta ainda mais a ansiedade. Este excesso de antecipação faz com que a mente esteja constantemente no futuro, enquanto o presente vai sendo vivido de forma fragmentada e distraída.
O problema é que, ao focarmos toda a nossa energia no que pode acontecer, deixamos de estar verdadeiramente presentes no que está a acontecer. A ansiedade rouba-nos a capacidade de atenção plena, de ligação ao momento e de desfrutar das experiências tal como elas são. A vida, no entanto, acontece sempre no agora. O futuro é incerto por natureza, e nenhuma tentativa de controlo mental consegue eliminá-lo. Isso não significa desistir, nem deixar de nos prepararmos. Significa aprender a agir no presente com o melhor que temos, sem sermos dominados por cenários que ainda não existem.
Quando começamos a compreender os mecanismos da ansiedade — os pensamentos automáticos, as distorções cognitivas e a tendência para a catastrofização — torna-se possível desenvolver estratégias para lidar com ela. Respirar de forma consciente, focar no momento presente e questionar os pensamentos de medo são passos importantes para recuperar o equilíbrio. A serenidade não nasce da ausência de desafios, mas da capacidade de não deixar que a mente viva constantemente no futuro. E, aos poucos, aprende-se que é possível avançar mesmo com incerteza — um passo de cada vez, com mais presença e menos medo.

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