Há dias, semanas ou até meses em que nos perguntamos como é possível que tantas coisas corram mal ao mesmo tempo. Acordamos com esperança. Fazemos planos. Procuramos resolver problemas, agir com boa vontade, dar o melhor de nós. E, no entanto, as respostas que recebemos parecem ser sempre as mesmas: não. Não é possível. Não resulta. Não agora. As portas fecham-se uma após outra. As soluções que imaginávamos desfazem-se nas nossas mãos como areia levada pelo vento. Aquilo que parecia um passo em frente transforma-se num obstáculo inesperado. E chegamos a um ponto em que deixamos de perguntar “o que correu mal?” para perguntar “como é que tudo pode correr mal ao mesmo tempo?”.
Nesses momentos, o horizonte parece vazio. Procuramos sinais de mudança e não os encontramos. Procuramos uma saída e ela permanece escondida. A alma cansa-se de esperar e o coração começa a duvidar. Será isto um teste à resiliência? Talvez.
Mas não no sentido de uma prova cruel imposta por um destino indiferente. Talvez seja uma oportunidade para descobrirmos algo sobre nós próprios. Enquanto tudo corre bem, raramente conhecemos a verdadeira dimensão da nossa força interior. É na adversidade que descobrimos a coragem de continuar quando já não temos certezas. Há, porém, uma pergunta ainda mais profunda: será um teste à nossa capacidade de resistir ou um teste à nossa vontade de desistir?
Porque, muitas vezes, o maior combate não é contra os problemas exteriores. É contra aquela voz silenciosa que nos diz que já não vale a pena tentar, que nada vai mudar, que todo o esforço é inútil. E é precisamente aí que reside a verdadeira vitória. Não na ausência de dificuldades, mas na decisão de continuar apesar delas. A vida tem esta estranha sabedoria: muitas vezes não nos mostra imediatamente o sentido das tempestades que atravessamos. Só mais tarde percebemos que algumas portas se fecharam para nos impedir de seguir caminhos errados, que certas perdas nos prepararam para encontros futuros, que determinados fracassos nos ensinaram lições que o sucesso nunca poderia ensinar.
Enquanto estamos no meio da noite, não vemos a aurora. Isso não significa que ela não esteja a caminho. Por vezes, a única coisa que podemos fazer é avançar um dia de cada vez. Não com a certeza de que tudo vai correr bem, mas com a confiança de que somos capazes de enfrentar aquilo que vier. E talvez a verdadeira resiliência não seja sorrir quando tudo dói, nem fingir que nada nos afeta. Talvez seja simplesmente continuar a caminhar quando não conseguimos ver o fim do caminho. Porque há momentos em que resistir já é uma forma de esperança.

Deixe um comentário